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Allen Telescope Array do SETI, no instituto da Califórnia, usado para ouvir sinais de civilizações extraterrestres. Até agora, nenhum extraterrestre tentou entrar em contato. Crédito: Instituto SETI
A descoberta de seres extraterrestres - sejam eles viscosos micróbios ou homenzinhos verdes - iria mudar radicalmente a forma como nós, humanos, vemos o nosso lugar no Universo. Mas será que isso quebraria religião? Bem, isso depende do que você acredita.

Em seu novo livro  "Religiões e Vida Extraterrestre"  (Springer 2014), David Weintraub, um astrônomo da Universidade de Vanderbilt, analisa como diferentes credos iriam lidar com a revelação de que não estamos sozinhos. Alguns de seus resultados podem surpreendê-lo.

Enquetes públicas têm mostrado que uma grande parte da população acredita que os alienígenas estão lá foraEm uma  pesquisa divulgada no ano passado  pela empresa Survata, 37% dos 5.886 norte-americanos que foram entrevistados disseram acreditar na existência de vida extraterrestre, enquanto 21%  disseram que não acreditam e 42% não tinham certeza. As respostas variaram pela religião: 55%  dos ateus disseram acreditar em extraterrestres, assim como 44% de muçulmanos, 37% dos judeus, 36 % de hindus e 32% dos cristãos.

Weintraub descobrira que algumas religiões são mais confortáveis ​​com a ideia de ET's do que outras. Aquelas com um ponto espiritual geocêntrico são as mais propensas a ficarem desconfortáveis com perguntas sobre a descoberta de alienígenas. Alguns cristãos evangélicos e fundamentalistas, por exemplo, são da opinião de que a única intenção de Deus era criar pessoas aqui na Terra. Alguns acreditam que se Deus criou a vida em qualquer outro lugar, disse Weintraub.

Mas alguns cristãos que interpretam a Bíblia literalmente, podem realmente ter um tempo maior para incorporar a existência de aliens em sua cosmologia espiritual. Muitos adventistas do sétimo dia, por exemplo, são os criacionistas  que acreditam que a Terra foi literalmente criada por Deus em seis dias cerca de 6.000 anos atrás e que os seres humanos descendem - e herdaram o pecado original - a partir de Adão e Eva. Nessa linha de pensamento, a vida poderia existir em outros planetas, mas seres que não descendem de Adão e Eva na Terra não seria inerentemente pecaminosos e, efetivamente, eles não precisariam do cristianismo para serem salvos, disse Weintraub ao LiveScience.

A flexibilidade dos Adventistas do  Sétimo Dia, no que diz respeito aos extraterrestres, pode ser um produto do tempo em que a religião foi fundada (século 19). Durante os anos 1700 e 1800, houve uma forte popularidade da crença em vida extraterrestre, disse Weintraub. O telescópio (uma invenção relativamente recente) finalmente permitiu aos astrônomos espiarem outros planetas e luas do nosso sistema solar, mas os cientistas ainda não compreenderam bem que esses corpos celestes eram estéreis. E talvez não seja coincidência que as religiões que começaram naquela época - Mormonismo, Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, a Fé Bahá'í - todos têm uma forte crença na vida extraterrestre, disse Weintraub.

Por outro lado, a noção de vida extraterrestre na sua maior parte, foi irrelevantes para as religiões que começaram há milhares de anos.

"As idéias sobre vida extraterrestre - como parte das escrituras sagradas - estão enterradas um pouco mais profundo", disse Weintraub. "Elas não são óbvias. Elas estão em camadas abaixo do topo. Nas escrituras judaicas, não há praticamente nada lá. Você realmente tem que sobre-interpretar para encontrar qualquer coisa que você pode dizer marginalmente ter encontrado alguma coisa a ver com a vida extraterrestre."

É claro que os extraterrestres têm figurado nas crenças de pequenas seitas e grupos religiosos marginais. Em um exemplo famoso, 39 membros do chamado  grupo Portas do Céu, cometeram suicídio  acreditando que eles deixavam seus corpos terrenos e alcançariam uma nave alienígena localizada atrás do cometa Hale-Bopp  em 1997. Weintraub não estudou esses grupos (e nem é um analogista da Cientologia), mas ele disse que é provável que as religiões futuras brotariam e apreenderiam sobre a descoberta de vida extraterrestre.

"Há uma grande quantidade das chamadas  UFO religiões, e tenho certeza de que, se descobríssemos que realmente há vida fora da Terra, não haveria muito mais desses tipos de coisas ", disse Weintraub. "Há, sem dúvida, pessoas que iriam encontrar isso como uma oportunidade ou uma desculpa para chamar a atenção para si por qualquer motivo e não haveria novas religiões."

Com os avanços na pesquisa de exoplanetas e astrobiologia, os cientistas poderiam estar realisticamente à beira de encontrar provas para a vida longe da Terra - talvez não a vida inteligente, mas a vida, por si só. É por isso que Weintraub acha que o resto de nós deve estar preparado para as questões espirituais que se seguirão - "Existe vida no universo" e que os astrônomos devem participar nessa conversa, uma vez que a questão agora pertence ao domínio da ciência, e não apenas a filosofia.

"Ele quase não importa que tipo de vida ela é", disse Weintraub ao LiveScience "Se houver qualquer tipo de vida lá fora, isso simplesmente significa que não estamos sozinhos. E saber que não estamos sozinhos, eu acho, tem um muito significado ".

Eles provavelmente irão ser de milhões de anos antes dos seres humanos descobrirem que são capazes de se comunicar com seres alienígenas inteligentes - isso se eles estiverem lá fora, disse Weintraub. Mas ele acha que vale a pena estender a experiência do pensamento a considerar  como iríamos tratar os extraterrestres a partir de diferentes credos. Será que repetiremos os erros de missionários europeus que converteram os "pagãos" do Novo Mundo ao cristianismo? Ou será que nós adotaremos uma política que se parece mais com a "Primeira Diretriz" da não-interferência do universo "Star Trek"? Será que aliens sencientes têm as suas próprias religiões? Será que eles tentarão 'pregar' para a gente?

"Uma vez que você pensa sobre isso o suficiente, vale a pena reconhecer que, se está OK para alguém em uma parte diferente do universo de ter uma religião diferente, talvez seja OK para outra pessoa em uma parte diferente da Terra a ter uma religião diferente" disse Weintrub. "Talvez pudéssemos descobrir alguma coisa aqui no qual podemos fazer com que  convivêssemos um pouco melhor."

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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