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» » » A História da Astrofísica Estelar - A classificação de Harward
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Se vocês acompanharam o remake de Cosmos comNeil deGrasse Tyson, mais especificamente, no ep. 08, onde ele conta a gênese da astrofísica moderna, talvez vocês se recordem de duas mulheres que foram responsáveis pela primeira catalogação e classificação estelar da história, dando início ao que hoje conhecemos como astrofísica estelar. Estou falando de Annie Cannon e Cecília Payne. 



No começo do século XX, a espectroscopia era a técnica mais usada para determinar a composição de um objeto. Mas analisar os espectros das estrelas era um trabalho cansativo e requer muita paciência. Alguns desses espectros mostravam as linhas de Balmer do hidrogênio (H) de uma maneira proeminente. Outros espectros exibiram várias linhas de absorção de cálcio (Ca) e ferro (Fe). Outros ainda são dominados por grandes características de absorção causadas por moléculas tais como a do óxido de titânio (TiO). 

Embora as mulheres daquela época não fossem aceitas como astrônomas, o trabalho de catalogar as estrelas foi realizado, no início do século XX, por um grupo de mulheres sob a supervisão de Edward C. Pickering no Harvard College Observatory. Ele teve a ideia genial de usar mulheres em um monumental projeto de examinar os espectros já obtidos de milhares de estrelas. 

Henrietta S. Leavitt (a direita)
i Annie J. Cannon (à esquerda).
O objetivo delas era desenvolver um sistema de classificação espectral no qual todos os aspectos espectrais, e não somente as linhas de Balmer, variavam suavemente de uma classe espectral para a próxima. 
A líder de equipe, Annie Jump Cannon (1863-1941), praticamente surda, fez grande parte deste trabalho) que, sozinha, classificou os espectros de mais de 250000 estrelas. A sua fiel companheira Henrietta Swan Leavitt, também era a segunda mulher mais importante da sala, nas classificações espectrais. Annie catalogou as estrelas, de acordo com 7 classes amplas, segundo os padrões de linhas espectrais, cada uma indicada por uma letra: O - B - A - F - G - K - M


A outra mulher mais importante, foi Cecilia Payne-Gaposchkin (1900 - 1979). Ela foi ousada em ter um diploma avançado de astronomia, numa época em que as mulheres eram proibidas de ter tal diploma. Cecília e Annie se tornaram grande amigas. Annie ensinou a Cecília tudo que ela sabia sobre as estrelas e em troca, Cecília lhes trouxe a experiência de energia atômica e física teórica.

Cecilia Payne-Gaposchkin foi uma das primeiras a estudar o interior do Sol. Aqui está ela em seu escritório.

Foi daí que ocorreu o grande trunfo: Cecília então descobriu que as estrelas são formadas praticamente de Hélio e Hidrogênio, assim como nosso Sol e ela também descobriu que a classificação de Annie na verdade era uma escala de temperatura das estrelas, indo da mais quente para a mais fria. 

Depois de ser rejeitado pelo próprio Russell, seu trabalho principal, "Atmosferas estrelares", se tornou a tese de doutorado mais brilhante da astronomia de todos os tempos. 


Edward Charles Pickering, diretor do observatório, discordou com o sistema de classificação e explicação das diferentes larguras de linha de Maury. Em resposta a esta reação negativa ao seu trabalho, ela decidiu deixar o observatório. No entanto, nada mais nada menos que o astrônomo dinamarquês Ejnar Hertzsprung percebeu o valor de suas classificações e os usou em seu sistema de identificação de estrelas gigantes e anões.
Esse trabalho nos possibilitou ler a assinatura e a biografia das estrelas.
Classificação espectral de Morgan-Keenan.
Outra mulher importante na classificação estelar foi Harward Antonia Caetana de Paiva Pereira Maury, nascida no estado de Nova Iorque, em 1866. Ela recebeu esse nome em homenagem a sua avó materna, Antonia Caetana de Paiva Pereia, que pertencia a uma família nobre que fugiram de Portugal para o Brasil por conta das guerras de Napoleão Bonaparte.


Antonia Maury no Harvard College.
Em 1908, Maury voltou a Harvard College Observatory, onde permaneceu por muitos anos. Sua obra mais famosa, houve a análise espectroscópica da estrela binária Beta Lyrae, publicado em 1933. Em 1943 foi agraciada com o Prêmio Annie Jump Cannon de Astronomia pela Sociedade Astronômica Americana.



Pickering and his 'computers': Antonia Maury on his left, Williamina Paton at center, Annie J. Cannon at far right. Havard College Observatory
As mulheres de Harward usando os computadores No centro, Antônia Mauri, na esquerda, Annie J. Cannon, na ponta direita. 
Hoje sabemos um pouco mais sobre elas, graças às mulheres de Harward. 


Payne, Annie, Leavitt e Maury foram 4 grandes mulheres que contribuíram para o alavancamento da astrofísica moderna. Elas, assim como outras tantas mulheres na ciência, merecem nossa homenagem, por enfrentarem o preconceito de sua época, e que ainda enfrentam. Parabéns à todas estas guerreiras!

Para conferir o episódio de Cosmos referente à essa história basta clicar aqui e escolher o ep. 08

Fonte: Observatório Nacional

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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