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» » » Um Deus que poderia ser Real no universo científico - Parte 1
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"Deus" é uma palavra. Se nós o definirmos, mesmo inconscientemente, como algo que não pode existir no nosso universo, vamos banir a ideia de Deus da nossa realidade e jogar fora toda possibilidade de incorporar uma potente metáfora espiritual em uma panorama verdadeiramente coerente. Mas se levarmos a sério os confiáveis — e, então, inestimáveis — conhecimentos científicos e históricos, que agora possuímos, nós podemos redefinir um Deus de uma forma radicalmente nova e poderosa que expande o nosso pensamento e poderia ajudar a motivar e unir-nos em uma era perigosa que a humanidade está adentrando.


Por mais de 30 anos, ocorreu uma das mais emocionantes revoluções científicas do nosso tempo, a revolução na cosmologia. Na década de 1970, o grande mistério cosmológico foi este: se o Big Bang foi simétrico em todas as direções, por que o universo em expansão hoje não é apenas uma sopa maior de partículas? Em vez disso, lindas galáxias elípticas e espirais estão espalhadas, mas não aleatoriamente; Elas posicionam-se ao longo de filamentos invisíveis, como glitter jogado em linhas de cola. Onde se cruzam vários filamentos grandes, formaram-se grandes aglomerados de galáxias. Mas por que? O que aconteceu com a sopa primordial? De onde veio toda essa estrutura?

Joel R. Primack, é um dos criadores da teoria da matéria escura fria, que responde a essas perguntas, dizendo-nos que tudo o que os astrônomos vêem — incluindo todas as estrelas, planetas e brilhantes nuvens em nossa galáxia e todas as galáxias distantes de gás — é menos da metade de 1% do conteúdo do universo. O universo acaba por ser quase inteiramente feito de duas presenças dinâmicas, invisíveis, desconhecidas e inimagináveis até o século XX: Matéria escura (matéria invisível que não é feita de átomos ou as partes de átomos) e de energia escura (a energia, causando a aceleração da expansão do Universo). Elas estiveram em competição uma com a outra por bilhões de anos, com a gravidade da matéria escura puxando matéria comum (atômica, bariônica) e a energia escura arremessando espaço separados, em um jogo de empurra e puxa. Sua interação cósmica com a matéria comum tem tecendo as galáxias visíveis e, assim, criado a possibilidade para a evolução dos planetas e a vida.

Ao longo das décadas, a medida que dados estavam surgindo, confirmando essa história com telescópios e satélites, surgia uma pergunta: o que significa para nós seres humanos não estamos vivendo no universo que pensávamos que estávamos vivendo

Hoje, os astrônomos em todo o mundo aceitam a teoria dupla escura como a história moderna do universo, mas eles não responderam a esta questão.

Deus tem de fazer parte de nossa compreensão do universo? 

Não. Mas se os cientistas disserem ao público que eles têm de escolher entre Deus e a ciência, a maioria das pessoas vão escolher a Deus, que conduz à negação, hostilidade para com a ciência e a incoerência mental profundamente perigosa na sociedade moderna que promove depressão e conflito. Enquanto isso, muitos daqueles que escolhem ciência encontram-se sem nenhuma forma de pensar que pode dar-lhes acesso ao seu próprio potencial espiritual. O que precisamos é uma panorama coerente que é totalmente consistente — e até mesmo inspirado — com a ciência, que forneça uma maneira poderosa de repensar em um Deus que traz benefícios humanos e sociais sem a tal da fantasia. 

Como conseguimos isso?

A ciência pode nunca nos dizer com certeza o que é Deus na verdade, já que há sempre a possibilidade de que algumas descobertas futuras irão descartá-lo. Mas a ciência pode muitas vezes nos dizer com certeza que não é verdade. Ela pode descartar o impossível. Galileu, por exemplo, mostrou, com seu telescópio, que a imagem medieval da Terra como o centro das esferas celestiais de cristal não podia ser verdadeiro, mesmo que ele não pudesse provar que a Terra se move em torno do sol. Sempre que os cientistas produzem as provas que convincentemente eliminam o impossível, não adianta mais discutir. Está tudo acabado. A graça está em aceitar e recalcular. É assim que a ciência avança.

E se nós pensarmos assim com Deus? E se nós levarmos a evidência de uma nova realidade cósmica a sério e tornarmos dispostos a descartar o impossível? O que restaria?

Podemos ter um verdadeiro Deus se pudermos largar o que o torna irreal. Só serei interessado em Deus se este for real. Se não for real, não há nada para falar. Mas não digo real como uma tabela, ou um sentimento, uma pontuação de teste ou uma estrela. Estes são reais na experiência normal na Terra. Digo real no quadro científico do nosso universo duplo escuro, nosso planeta, nossa biologia e nosso momento na história.

Estas são características de um Deus que não podem ser verdadeiras:
  1. Deus existia antes do universo;
  2. Deus criou o universo;
  3. Deus sabe de tudo;
  4. Deus controla tudo o que acontece;
  5. Deus pode optar por violar as leis da natureza.

A autora Nancy Ellen Abrams explica em seu livro, Um Deus que poderia ser Real, que fisicamente cada um desses itens acima é impossível (emboras leitores científicos deste blog precisam saber disso. O ponto que a autora quer fazer aqui é que esta lista praticamente concorda com razões por que a maioria dos ateus dispensa  a existência de Deus.  Nós apenas declaramos que o que Deus não pode ser. Não pensamos ainda o que Deus poderia ser.

A autora ainda continua:

"Nós todos crescemos tão mergulhados em alguma tradição religiosa,  que nós já aceitamos. É difícil de entender que a oportunidade de redefinir Deus realmente está em nossas mãos. Mas é, e a maneira como fazemos isso desempenhará um papel de liderança na definição do futuro do nosso planeta.

Para mim, esta é a pergunta chave: poderia realmente existir neste universo algo que seja digno de ser chamado de Deus? Minha resposta é sim."

Veja a continuação desse polêmico artigo na parte 2.

Artigo original por Nancy Ellen Abrams, traduzido de npr

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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