Select Menu
» » » » » » O fim da polêmica: afinal, é possível ou não armazenar vento?
«
Proxima
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga

No dia 27 de setembro de 2015, a Presidente do Brasil, Dilma Roussef, em mais um de seus polêmicos discursos, desta vez, nas Nações Unidas em Nova York, proferiu uma frase na qual criaria uma polêmica nas redes sociais e na mídia em geral sobre a possibilidade de estocagem de vento em uma fazenda eólica nos Estados Unidos. Imediatamente, o fato foi alvo de piadas na internet. Mas, afinal, é possível ou não armazenar vento?

Primeiramente, devemos pôr em xeque o fator semântico da palavra vento. Segundo o dicionário Micaellis, o verbete vento significa: 

1 Corrente de ar resultante de diferenças de pressão atmosférica proveniente, na maioria dos casos, de variações de temperatura. 2 Ar, atmosfera. 3 O ar em movimento ou em deslocação.  4 O ar agitado por qualquer meio mecânico. 


Em segundo lugar, devemos ter em mente que de fato, existe uma tecnologia de armazenamento de energia do vento ou energia eólica. Os parques eólicos normalmente geram a maior parte de sua energia à noite, quando a maioria da demanda de eletricidade é menor. Então, um monte de que a energia "verde" é desperdiçado. É dai que, em meados de 2009, algumas empresas tiveram a ideia de estocar esta energia desperdiçada a noite em forma de ar comprimido que é armazenado em rochas de arenito.

O arenito é poroso, logo, o ar é comprimido dentro das rochas e é lacrado. Logo em seguida, este ar é liberado, fazendo com que o ar que estava armazenado gire novamente as turbinas e gerando eletricidade. Em meados de 2007, o site Inovação Tecnológica publicou um artigo sobre empresas reunidas no Iowa Stored Energy Park, que estariam prestes a colocar essa tecnologia em uso. Em 2009, a revista científica americana Scientific American publicou que outras empresas como a  Beacon Power CorpNGK Insulators, e a American Electric Power Co. Inc, usaram meios de armazenamento de energia eólica estocando-a em baterias de Lítium e também em ar comprimido nas rochas. 

Há também outras formas de armazenamento de energia eólica, como em fazendas híbridas de energia eólica e hidroelétrica ao mesmo tempo, ou até em fazendas de energia eólica somada à energia solar, por exemplo. 

O fato é que, a tecnologia de armazenamento por ar comprimido não deu certo, pois, no final das contas, o custo benefício não seria bom, pois o preço da tecnologia estaria acima do que se esperaria da demanda de energia e da eficiência. O mesmo acontece com parques de usinas maremotriz (que utilizam de energia das marés), pois, mesmo em países desenvolvidos, o aproveitamento final da energia era mais baixo do que a demanda total. 

O veredito científico

Muitas vezes, na divulgação científica, usa-se termos que mais se aproximam da popularidade mas, o que ocorreu é que, o senso comum dessa vez falou mais alto, uma vez que sempre aprendemos que vento é de fato ar em movimento e que, falar sobre armazenamento de vento é o mesmo que falar em guardar uma tempestade dentro de um pote, para, em qualquer momento oportuno, abrir a tampa e provocar uma chuva, porém, como vimos, a coisa é bem mais complexa.

Reparem que, com exceção do site brasileiro Inovação Tencológica, semanticamente falando, o termo "armazenamento de vento" é errôneo, uma vez que, como já mostrado, vento significa "ar em movimento", logo, o certo seria "armazenamento de energia do vento em forma de ar comprimido". Claro, se levarmos ao pé da letra, sabendo que nenhuma matéria está parada ao certo, uma vez que, mesmo no ar comprimido, as moléculas estão se agitando, então podemos dizer, termodinamicamente, que o ar em movimento pode ser vento, mas semanticamente, ar em movimento não é vento. 

Então, considerando o bom e velho português e a física do meio ambiente, a presidente falou errado, estando certa. O correto seria falar de armazenamento ou estocagem de energia do vento (eólica) através de tecnologia de gás comprimido.

......................

Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
«
Proxima
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga
Comentários
0 Comentários

Newsletter