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» » » » O que acontece se você colocar sua cabeça dentro de um acelerador de partículas?
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Não tente fazer isso em casa!




O Large Hadron Collider (LHC) tem feito notícia desde sua criação em 1984. Ao longo dos anos, ele forneceu-nos um tesouro de descobertas no mundo da física. É realmente uma façanha de engenharia que ajudou e ainda nos ajuda a compreender as regras fundamentais do universo, a um ritmo alarmante.

Mas, ao mesmo tempo que essas descobertas são feitas, pessoas no mundo inteiro fazem muitas perguntas a respeito desse gigante acelerador de partículas: o que aconteceria se você prender sua cabeça dentro do LHC?

Embora pareça um trabalho para super-vilões no universo dos quadrinhos, a resposta para o que aconteceria surgiu nos anos 70, quando alguém enfiou sua cabeça no colisor. 

De acordo com Daven Hiskey, a estranha história começa em 13 de julho de 1978, quando o cientista russo, Anatoli Bugorski, de Petrovich, estava trabalhando no síncrotron U-70, um acelerador de partículas soviético.

Durante o que era provavelmente um dia de rotina no escritório, Bugorski inclinou-se para o acelerador para averiguar um problema do equipamento, quando um feixe de prótons  atravessou acidentalmente sua cabeça em alta velocidade, o que levou-o a ver um flash de luz "mais brilhante que mil sóis".

Apesar desta visão estranha, ele supostamente não sentia dor, mas o estrago já estava feito.

Para entender completamente a quantidade de danos que o feixe fez na cabeça do Bugorski em questão de segundos, primeiro precisamos conversar sobre uma unidade de medida chamada um gray (Gy).

"Um 'gray' é uma unidade SI de energia absorvida da radiação ionizante," Hiskey explica. "Um gray é igual à absorção de 1 joule de energia de radiação de 1 quilograma de matéria."

Normalmente, continua Hiskey, necessita-se apenas de cerca de 5 toneladas de gray para matar uma pessoa - um destino que normalmente acontece em cerca de 14 dias após a exposição.

Rosto de Bugorski algum tempo depois do ocorrido. Na direita, abaixo, uma radiografia feita do crânio do cientista mostra a trajetória do feixe de prótons. 

O raio que atravessou a cabeça do Bugorski foi avaliado em 2.000 grays. Quando saiu, o feixe tinha 3.000 de leitura. Nesse nível, isso deveria ter deixado-o com um buraco através de seu rosto como uma arma a laser daquelas usada em filmes de ficção científica, mas isso não aconteceu.

Embora ele parecesse bem no início, esta poderosa explosão de partículas causou um inchaço no lado esquerdo da cabeça e fez com que algumas partes de sua pele descascassem no local onde o feixe entrou e saiu de seu crânio. O raio também queimou uma conexão neural em seu cérebro, embora ele não tenha experimentado nenhum declínio mental.

Apesar de muitos dos médicos dizerem que ele provavelmente iria morrer a qualquer momento, Bugorski sobreviveu. Ele ainda está vivo hoje, mas é claro, houve complicações.

Ele eventualmente perdeu a audição no ouvido esquerdo, começado a sofrer ataques, e metade do rosto ficou paralisado. Surpreendentemente, nada disso o impediu de mais tarde ganhar seu PhD.


Uma das descobertas mais estranhas deduzidas no incidente é que prótons podem prevenir rugas na pele, porque a metade do rosto do Bugorski que levou o feixe parece não ter envelhecido até hoje.

Rosto de  Bugorski. Percebam o lado esquerdo do rosto dele, parece não ter envelhecido, enquanto o lado direito está cheio de rugas.

Então a resposta curta é que enfiar a cabeça dentro de um acelerador de partículas deve causar um 'buraco de minhoca' e uma queimadura diretamente através de seu crânio. Ou, se você tiver sorte como Bugorski teve, você vai ter um buraco na cabeça e só terá que lidar com uma série de outros problemas de saúde (apesar de ficar com metade do rosto jovem). Mas a moral da história é clara, de qualquer maneira: por favor, não coloque a cabeça dentro de um acelerador de partículas!

Traduzido e adaptado de Science Alert

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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