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Vamos supor que você pudesse cavar um buraco largo, perfeitamente em linha reta diretamente para o centro da terra, atravessando até  outro lado. Além disso suponha que o buraco tem uma parede forte o suficiente para protegê-lo do colapso ou fusão, uma vez que o centro da Terra é feito de magma e ferro derretido. A pergunta é: O que aconteceria se você caísse neste buraco?



Depois de cair cerca de 0,15 quilômetros (0,002% do caminho para o centro da Terra), você sofreria uma pressão de cerca de 20 atmosferas de ar e morreria de hiperoxia. Quanto mais longe o seu cadáver cair, mais ele se torna esmagado pela pressão intensa do ar. Note que esta pressão é do próprio ar acima de você pressionando para baixo e não a partir das rochas. Como você pode ver, você não irá muito longe em sua jornada através da terra antes de morrer. Vamos supor que você seja capaz de colocar em algum tipo de traje pressurizado futurista que possa protegê-lo de qualquer quantidade de pressão. O que aconteceria com você se você caísse no buraco vestindo esta roupa de pressão?

Depois de cair cerca de 1,1 km (0,02% do caminho para o centro da Terra), você encontraria uma temperatura de cerca de 320 Kelvin (46,85 ºC) e morreria de insolação devido ao núcleo quente do planeta que está cada vez mais próximo de você. Depois de cair a uma distância total de cerca de 2,7 km (0,04% do caminho para o centro da Terra), o seu cadáver encontrá uma temperatura de cerca de 400 Kelvin (126,85 ºC) e seus fluidos corporais começarão a evaporar. Após a cair para cerca de 200 quilômetros de profundidade (3% do caminho para o centro da terra), seus ossos e restos de carne secas irão encontrar uma temperatura de cerca de 1200 Kelvin (926,85 ºC) e serão completamente incinerados em pó. 

Seus restos de poeira continuarão caindo através dos 6200 km (97% do caminho) para o centro da Terra. Obviamente, ir ao fundo na terra é totalmente uma má ideia. Mesmo com um terno de pressão, você não irá muito longe antes de ser incinerado pelo calor. Note que você não tem que estar tocando as paredes do túnel para sentir este calor. O próprio ar no túnel está a estas temperaturas.

Agora, vamos supor que você coloque um tipo de terno futurista que o protege de todos os efeitos de pressão, todos os efeitos de calor, todos os efeitos de gases tóxicos, e todos os efeitos de radiação. Nesse caso, o que acontece quando você pular no buraco? Você aceleraria à medida que você cair, ganhando velocidade por causa da gravidade da Terra. Depois de cerca de dez segundos, tendo viajado 0,5 km para baixo (0,008% do caminho para o centro da Terra), você alcançará uma velocidade máxima de cerca de 200 quilômetros por hora (120 mph). A resistência do ar a esta velocidade é alta o suficiente para impedi-lo de acelerar mais. Quanto mais longe você cair, mais fraca a gravidade torna-se porque mais e mais da massa da Terra estará acima de você e irá cancelar a gravidade do outro lado da Terra. Além disso,a medida que você cair, a pressão do ar sobe para que o ar exerça mais força contra o seu movimento. Com a gravidade ficando mais fraca, e resistência do ar ficando mais forte, sua velocidade cai de forma constante.

Após cerca de uma semana caindo (sim, com uma velocidade máxima de 200 Km/h, você levará esse tempo para viajar a 6400 km até o centro, ou você acha que o núcleo da Terra é logo alí?), você finalmente chegará ao centro exato da terra. A força de gravidade no centro da Terra é zero porque existem quantidades iguais de matéria em todas as direções, todas exercendo uma força gravitacional igual. Além disso, o ar no buraco é tão denso neste ponto que é como viajar dentro de uma sopa. A pequena quantidade de força que você tem neste momento fará com que você ultrapasse o centro da terra e se mantenha em movimento através do buraco. Mas, uma vez que você já passou do centro da terra, a direção "para baixo" está agora em outra direção, de modo que você desacelerará na direção inversa antes de chegar muito além do centro. Você continuamente cairá de volta para o centro da terra, superando seu próprio ímpeto, e depois cairá de volta na outra direção. Este movimento é muito parecido com um yo-yo ou um balanço de criança de playground que está continuamente ultrapassando o ponto mais baixo. Com o ar espesso, você acabará por perder o impulso e parar o movimento de yo-yo em torno do centro da terra. Então, você acabará ficando preso, flutuando no centro da Terra.

E se o túnel for completamente evacuado de todo o seu ar

Sem ar, não haveria nenhuma resistência. Você poderia, portanto, acelerar a velocidades incríveis a medida que você cair, atingindo uma velocidade máxima na ordem de dezenas de milhares de quilômetros por hora. Você chegará ao centro da Terra em questão de minutos ou horas em vez de semanas. Alguns calculam estimativas exatas para um tempo de 38 minutos e 11 segundos. Com essa imensa velocidade, você ultrapassará completamente o centro da Terra. A medida que você viaja através da extremidade do buraco, a gravidade estará agora na direção oposta e retarda seu movimento para baixo. Você irá desacelerar até à velocidade zero, assim que você sair do buraco do outro lado do mundo. Isso faz sentido do ponto de vista da conservação de energia: você começou em repouso em um lado do mundo, por isso você deve acabar em repouso no outro lado do mundo se nenhuma energia for perdida para a resistência do ar.

Note que os números nesta explicação são estimativas muito ásperas e destinam-se apenas a ilustrar as ordens de magnitude que se deve esperar. 

Então, a não ser que você seja um aventureiro idealizado de Júlio Verne, nunca tente atravessar o centro da Terra pois em todos os cenários, não será uma boa ideia.

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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