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No século 18, enquanto vasculhava o céu noturno à procura de cometas, o astrônomo francês Charles Messier notou a presença de estranhos objetos difusos e aparentemente fixos no céu. Com o tempo, ele viria a compilar uma lista de cerca de 100 desses objetos no intuito de auxiliar outros astrônomos à não confundirem esses corpos celestes com cometas. No entanto, esta lista – conhecida como Catálogo Messier – iria passar a ter uma função mais importante, agindo como um marco na história dos estudos dos Objetos do Céu Profundo (Deep Sky Objects).

Contudo, nem todos os objetos no catálogo foram descobertos pelo próprio Charles Messier. Alguns, como a Nebulosa da Lagoa (Lagoon Nebula), foram observados antes, devido ao fato de simplesmente serem visíveis a olho nu. Esta nuvem interestelar, localizada na constelação de Sagitário, tem sido estudada desde o final do século XVII, e é uma das duas únicas nebulosas de formação estelar visíveis a olho nu a partir da Terra.

Descrição

A Nebulosa da Lagoa está a aproximadamente 5.200 anos-luz de distância de nós e cobre uma colossal área espacial de cerca de 140 por 60 anos-luz. É classificada como uma nebulosa de emissão, isto é, regiões de gás ionizado que emitem luz em cores diferentes em comprimentos de onda nem sempre visíveis ao olho humano. Sua fonte de energia provêm da ionização de fótons de alta energia emitida por estrelas quentes próximas – inclusive, a partir da absorção do calor dessas estrelas, a nebulosa brilha (muito!). Tal como acontece com todas as nebulosas, as cores que vemos em suas brilhantes nuvens dependem da composição química e quão ionizada suas partículas estão sendo.



Uma nova visão em infravermelho da região de formação estelar Messier 8, ou Nebulosa da Lagoa, capturada pelo telescópio VISTA no Observatório Paranal da ESO, no Chile. 
Crédito: ESO / VVV

M8 aparenta uma cor cinza/verde vista a olho nu, que corresponde ao oxigênio duas vezes ionizado contido em sua composição. Em fotografias de longa exposição, a nebulosa aparece com um tom rosado, advindo da captura de cor do hidrogênio ionizado, elemento abundante do corpo. Como várias outras nebulosas de emissão, M8 também possui áreas escuras onde nem estrelas, nem luz parecem surgir. Estas regiões obscuras são na verdade imensas nuvens de poeira que bloqueiam a passagem de luz.

Dentro da nebulosa existe um grande número de aglomerados de estrelas proeminentes e outras nebulosas menores. A mais famosa é a Nebulosa Ampulheta (assim chamada por John Herschel). Em 2006, os quatro primeiros objetos Herbig-Haro foram detectados dentro da ampulheta. Estas pequenas manchas de nebulosidade associadas com estrelas recém-nascidas forneceram a primeira evidência direta de formação estelar ativa por acreção dentro de uma nebulosa.

Também inclui uma estrutura em forma de funil causada por uma estrela quente tipo-O que emana luz ultravioleta, aquecendo e ionizando gases na estrutura da nebulosa. Dentro dela, você também pode ver um jovem conjunto de estrelas denominado NGC 6530. M8 também é famosa pelos glóbulos de Bok – material protoestelar escuro colapsado sobre si mesmo. Eles foram descobertos por E.E Barnard e catalogados como B88, B89 e B296.



A Nebulosa da Lagoa vista pelo telescópio espacial Hubble.
Crédito: NASA / ESA / HST

A imagem mostrada acima mostra uma área que abrange 5 anos-luz (~50 trilhões de quilômetros) da nebulosa. No canto superior esquerdo, duas longas nuvens em forma de funil são reveladas, cada qual medindo meio ano-luz, formadas por ventos estelares extremos e intensos, provido de enérgicas estrelas próximas. A seção brilhante é Herschel 36, uma estrela extremamente brilhante. Outras estrelas parecem tomada pelas vastas paredes de poeira, que se desvia sua luz para a extremidade vermelha do espectro.

Alguns Dados Sobre a Nebulosa da Lagoa

Nome do Objeto: Messier 8
Designações Alternativas: M8, NGC 6523, Sharpless 25, RCW 146, Gum 72
Tipo de Objeto: Nebulosa de Emissão
Constelação: Sagitário (asterismo: Bule)
Ascensão Reta: 18 : 03.8 (h:m)
Declinação: -24 : 23 (deg:m)
Distância: 5.2 (kly)
Brilho Visual: 6.0 (mag)
Dimensão Aparente: 90x40 (arc min)

Aproveite esta beleza primordial!



Dedica-se este artigo à Tammy Plotner, falecida em 2015. Tammy foi uma astrônoma, escritora de artigos relacionados ao campo da Cosmologia e Presidente Emérita da Warren Rupp Observatory. Grande contribuinte da comunidade científica, vai deixar saudades aos seus fãs e aos entusiastas da Astronomia. Descanse em paz, Tammy.

Artigo feito em parceria com o portal Acervo Ciência. Visite (e curta!) a página do Acervo no Facebook para saber mais.

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Autor Gabriel Pietro

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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