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É fácil sentir pena de Plutão, uma vez que foi rebaixado para o status de não-planeta em 2006, porém, de alguma forma, o nosso rebaixado cósmico favorito ficou mais interessante desde que sua verdadeira face foi mostrada para nós ano passado, graças a sonda New Horizons.

NASA / Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory / Southwest Research Institute

Desde então, descobriu-se que plutão tem ondas de gravidade estranhas, um coração batendo, e a forma com que ele interage com ventos solares é diferente de qualquer coisa que astrônomos têm visto no nosso Sistema Solar. E agora, o planeta anão parece ter um oceano subterrâneo.


Se isso lhe parece um pouco estranho, sim, é super estranho. Como pode um planeta que fica a cerca de 6 bilhões de km de distância do Sol não teria um núcleo congelado? 

Esta questão foi incomodando cientistas desde que a sonda New Horizons da NASA fez sua demonstração aérea de Plutão em julho passado e encontrou evidências de atividade tectônica perturbando a sua superfície frígida, o que poderia realmente ter explicado por que um oceano subterrâneo estava logo abaixo da superfície.

E agora um novo modelo confirma o que os cientistas da NASA suspeitavam, revelando como Plutão seria basicamente murcho como um pêssego maduro demais se ele não tivesse água líquida, dando sua crosta congelada um pouco de espaço para se movimentar.

Como Maddie Stone explica mais no Gizmodo, quando a New Horizons enviou de volta as imagens mais claras já capturadas da superfície de Plutão, houve uma estranha falta de compreensão na qual os cientistas se referiram como características tectônicas com compressão, que se formam somente se as camadas internas de líquido tenham congelado numa forma mais densa chamado gelo II.

As marcas que causaram mistérios sobre o distante Plutão. Crédito: NASA / New Horizons

"A formação de gelo II faria com que Plutão experimentasse uma contração em seu volume e uma compressão nas características tectônicas para formar sua superfície", disse um dos membros da equipe por trás do modelo, Noah P. Hammond, da Universidade Brown, à imprensa. 

Em outras palavras, as simulações de Hammond mostraram que, se o oceano líquido de Plutão fosse congelado, teria sido esmagado pela casca exterior pesada em uma forma densa de gelo II. 

Gelo II diminui à medida que congela, ao invés de expandir como gelo regular, por isso, se Plutão tivesse um oceano de gelo II sob a sua crosta gelada, ele teria feito o planeta inteiro se murchar a partir do interior, e esse murchamento seria evidente em sua superfície, o que não é visto na realidade.

"Uma vez que as características tectônicas na superfície de Plutão são todos extensionais e não há características de compressão óbvias, ele sugere que o gelo II não foi formado, e que, portanto, o oceano subsuperficial em Plutão provavelmente sobreviveu até os dias de hoje", diz Hammond .

Então, o que está mantendo o oceano subterrâneo de Plutão tão molhado? Os investigadores pensam que provavelmente seja um núcleo de fogo brando do planeta anão, o que gera calor a partir do decaimento de elementos radioativos em seu interior.

Isso significa que Plutão parece ser mais habitável - ou talvez um pouco menos inóspito - do que se pensava, mas ainda assim, não há muita chance de vida ali. 

Mas o que é significativo neste achado é o fato de que os oceanos líquidos podem existir em planetas anões, luas e planetas ainda maiores, sem as forças de maré nas quais os cientistas afirmam ser necessários para manter as coisas fluindo. Conor Gearin explica para New  Scientist:

"As luas de gigantes gasosas, como a lua de Júpiter, Ganimedes, tem oceanos subsuperficiais porque as forças de maré do planeta as mantém achatados ao redor. Em contraste, Plutão parece ter um oceano líquido, apesar de não experimentar uma maré de um grande planeta. 
"Você não precisa de aquecimento de maré, a fim de ter um oceano - o que é uma lição importante", disse Francis Nimmo, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. "Isso significa que outros objetos grandes do Cinturão de Kuiper podem ter oceanos também. "

Claro, nada está confirmado até que algum zangão robô mergulhe seus dedos dos pés no oceano subterrâneo de Plutão.

O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters ,  e pode ser acessado gratuitamente no arXiv.org.

Traduzido e adaptado de Science Alert

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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