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A lua da Terra desempenha um papel significativo em nossa cultura, linguagem e pensamentos. Ela é objeto de apreciação de casais românticos, poetas, lobos e  astrônomos amadores. 

Agora suponha que repentinamente, a Lua desaparecesse num piscar de olhos (considere esse desaparecimento sem causas externas, como asteroides, cometas ou uma explosão violenta), nós notaríamos? Nós se importaríamos? O que iria acontecer?

Bem, depende...

Você gosta de marés?

A Gravidade — pelo menos o tipo newtoniana — é bastante simples: quanto mais perto você estiver de algo,  mais forte será a força da gravidade. Então, para quem está mais perto, a Lua cria um puxão gravitacional mais forte, e quem está mais longe, sofre puxão mais fraco. Quando se olha para os efeitos da Lua sobre a Terra, você pode essencialmente reduzi-lo em até três partes: A Terra, o oceano-próximo-da-Lua e a oceano-longe-da-Lua.

Em qualquer dia, o oceano mais próximo à lua sofre um puxão gravitacional de bônus, então sobe ligeiramente, estendendo a mão no abraço aguado com a Lua. E, uma vez que o oceano é muito grande, toda a água de um horizonte empurra a água do outro, resultando em uma protuberância tidal fantástica.

Certo, a maré sobre de um lado do nosso planeta, feito. Mas e o outro? Os pedaços sólidos rochosos da Terra estão mais próximos à lua do que o oceano do outro lado, para que a terra também fique um pouco mais aconchegante com a Lua, deixando o oceano de lado. Resultado? Marés no lado distante. Na perspectiva de alguém de pé na Terra, parece que o oceano está subindo, mas realmente ele só não consegue ficar para a festa. E é isso: duas marés em lados opostos da Terra. 

Protuberãncia gravitacional mostra que ocorre marés em ambos os lados, tanto afastado quanto próximo da Lua. Créditos: HowStuffWorks.

Se a Lua desaparecesse, não estaríamos totalmente fora da ação das marés; o Sol também se estende e aperta a Terra, então nossas oportunidades de surf não serão totalmente eliminadas.

Você gosta de 24 horas em um dia?

A Terra costumava girar sobre seu eixo mais rápido do que ela faz hoje. Após o impacto gigante hipotético que levou à formação da Lua, o dia da Terra era tão curto quanto 6 horas. Então, como ela chegou a ter 24 horas?

Isso mesmo, foi a Lua! A lua cria alguns bela marés, mas a Terra também está girando em seu eixo. Esse giro arrasta fisicamente os bojos de maré ao redor do planeta. Assim em vez das marés aparecerem diretamente abaixo da lua, eles estão um pouco à frente dela, orbitalmente falando.

Então você tem um grande pedaço de água do oceano extra em um lugar onde não deveria estar. Como a gravidade é uma via de mão dupla, ela também causa um puxão na Lua. Como se estivesse puxando um cão relutante em uma coleira, essa protuberância de maré puxa a Lua pouco a pouco, acelerando-a em órbitas cada vez maiores.

A propósito, a Lua está lentamente ficando mais longe da Terra. E essa energia para acelerar a Lua teve de vir de algum lugar, e esse lugar é a própria Terra: Dia a dia, milênio por milênio, a Terra fica mais lenta, convertendo sua energia rotacional em energia orbital da Lua. Isso significa que os dias estão ficando mais longos devido a presença da Lua. 

Se você tira a Lua dessa dança, este processo não iria se inverter, mas também não iria continuar. Isso pode ou não pode ser uma coisa boa, dependendo de quanto você gosta do comprimento do seu dia de trabalho.

Você gosta de estações?

O eixo da Terra está inclinado, e esta inclinação pode mudar com o tempo. Nada demais, todos os planetas o fazem; é divertido. Mas o que não é divertido é quando a inclinação muda rapidamente. O que aconteceria se a Antárctica apontasse diretamente para o Sol durante 24 horas por dia, mergulhando a América do Norte e a Europa na escuridão permanente? E depois de algumas centenas de milhares de anos depois dessa capotamento? Certamente seria uma catástrofe climática. Felizmente, nós temos uma certa regularidade na periodicidade das nossas estações (e também no eixo de rotação), e devemos agradecer a Lua por isso!

Esses tipos de oscilações selvagens loucas na inclinação axial são devido a ressonâncias, ou interações com objetos distantes no sistema solar. Por exemplo, vamos dizer que um dia em sua órbita o eixo da Terra aponta para longe do Sol, e Júpiter está pendurado para fora nessa direção, ao mesmo tempo. E digamos que acontece de novo ... e de novo ... e de novo. Toda vez que o eixo da Terra e Júpiter alinham-se, ocorre uma atração gravitacional super-minúscula. A princípio não é nada. Mas ao longo de milhões de anos, pode somar. antes que você perceba, o acúmulo de puxões terá virado a Terra como uma panqueca.

O que pode estabilizar isto é a Lua: ela é muito, muito grande (pelo menos em comparação com a Terra), e orbita muito rápido. O momento angular (energia rotacional) impede que os outros planetas façam quaisquer travessuras axiais.

Ou não. A lua pode realmente estar prejudicando-nos a longo prazo, uma vez que está nos abrandando, o que nos torna mais suscetíveis às intrigas dos planetas exteriores. Mas isso é um problema de bilhões de anos de qualquer maneira, e se a Lua desaparecesse amanhã, nossas estações ainda seriam sazonais por um tempo muito longo.

Mas, além de nos deixar de cabeça para baixo, aumentar nossas horas do dia, diminuir nossas marés e sessar o uivo dos lobos, aconteceria realmente algo conosco se aquele disco brilhante sumisse de nossos céus? Na verdade não. Mas, certamente, seria uma grande tristeza para os astrônomos amadores. 


Traduzido e adaptado de Space.

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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