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Apesar de ter sua cota de críticos, o teste de Turing tornou-se uma das maneiras mais bem conhecidas de medição de inteligência artificial. O Teste de Turing avalia a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente equivalente a um ser humano, ou indistinguível deste. Originalmente desenvolvido em 1950, o teste afirma que se um ser humano não pode dizer a diferença entre uma IA (inteligência artificial) e um ser humano real em um programa de bate-papo, diz-se então que a IA passará no teste. 

Mas agora os cientistas descobriram uma brecha no teste de Turing, e envolve um dos truques mais antigos registrado: simplesmente ficar em silêncio.

Acontece que o silêncio por parte da IA pode ajudar distorcer a percepção da pessoa do outro lado da conversa, no qual fica se perguntando se ele ou ela está lidando com um ser humano tímido (ou ofendido) ou um robô quebrado alimentado por IA.

Cientistas da Universidade de Coventry, no Reino Unido observaram seis transcrições de testes de Turing anteriores e descobriram que quando as máquinas pararam de falar, levavam os juízes a ficar em dúvida. Muitas vezes o silêncio não era qualquer timidez intencional por parte do IA e foi simplesmente devido a problemas técnicos.

"As questões técnicas inerentes a falha dos programas de computador para retransmitir mensagens ou respostas às perguntas do juiz," disse um dos pesquisadores, Huma Shah, a Dyllan Furness da Digital Trends. "Os juízes não estavam cientes da situação e, portanto, em alguns casos, eles classificaram seu interlocutor oculto como 'incerto'."

Se o juiz está incerto, a IA foi bem-sucedida.

Como Sousa e seu companheiro pesquisador Kevin Warwick notaram em seu estudo, ainda há muita controvérsia sobre as 'regras' do teste de Turing e muita ambiguidade sobre o desafio de medir realmente o que exatamente seu criador Alan Turing se destina.

A interpretação utilizada neste caso é o "jogo de imitação", descrito por Turing: a IA tem que ser capaz de fingir ser humana a um nível razoavelmente convincente.

Deixando de lado o debate sobre as condições do teste de Turing em si, o estudo considera as várias repercussões de um robô que efetivamente suplicava a quinta emenda (ficando quieto).

A máquina pode enganar os seres humanos por ser inarticulada, argumentam os pesquisadores, mas o teste não prova que a máquina pode pensar – só que ela pode se calar (e por conta disso, uma pedra poderia passar facilmente no teste). Se o juiz humano for inseguro, isso significa que a IA ganhou: e como pode qualquer determinado julgamento ser feito se a máquina não diz nada?

A equipe sugere que robôs inteligentes poderiam ficar quietos para evitar dar uma resposta estúpida, e que futuros testes de Turing poderão ser adaptados para que o silêncio automaticamente desqualifique um concorrente, sejam eles artificiais ou humanos.

De acordo com Sousa, Turing projetou seu teste para incentivar o desenvolvimento de "máquinas elaboradas para responder de forma satisfatória e sustentada", e não apenas robôs que estão tentando enganar seus juízes por ficarem calados.

Talvez nós precisamos de um novo teste de Turing para o século XXI – afinal, a computação já percorreu um longo caminho desde 1950. Ou talvez o teste não seja mais tão relevante como uma vez foi, dado os avanços surpreendentes que a IA tem feito nas últimas décadas.

O CEO da Microsoft, Satya Nadella recentemente previu que o futuro da IA "não vai ser sobre humano vs máquina", mas sobre sistemas inteligentes que podem ajudar a aumentar e melhorar o que já fazemos melhor. É algo que esses pesquisadores tendem a concordar.

"O papel da IA é aumentar o desempenho humano com agentes inteligentes," Sousa disse ao Digital Trends. "Por exemplo, um humano educador poderá usar um IA para marcar as tarefas do estudante e fazer perguntas para exames, deixando o tempo do professor para inovar, aprender, inspirar estudantes, incentivar mais, incluindo as mulheres, para uma vida melhor ou mundo de cooperação".


Traduzido e adaptado de Science Alert. 

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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