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Olhe para o céu à noite e você verá incontáveis estrelas. Mas apenas uma fração microscópica delas são visíveis à olho nu. Na verdade, são estimadas 2 trilhões de galáxias, cada qual com, em média, 100 bilhões de estrelas, no Universo Observável. Isto quer dizer que existem 1025 estrelas lá fora.















 R136a1 é uma gigante no Universo. Joannie Dennis/flickr, CC BY-SA

Essas potências espetaculares vêm em uma variedade de cores e tamanhos diferentes – e muitas delas fazem o nosso próprio Sol parecer um mero objeto insignificante. Mas qual é o verdadeiro gigante dos céus?



Bem, nós temos que começar definindo o que queremos dizer com ‘gigantes’. Seria àquela com o maior raio, por exemplo, a mais brilhante, ou com a maior massa?



Gigantes Galácticos


A estrela com, possivelmente, o maior raio é atualmente UY Scuti, uma supergigante vermelha variável na constelação de Scutum (Escudo). Situada a cerca de 9500 anos-luz da Terra, e composta por hidrogênio, hélio e outros elementos mais pesados similares à composição química do Sol, a estrela tem um raio 1708 vezes maior do que nossa estrela.


Isto é, cerca de 1,2 bilhões de quilômetros, o que resulta numa colossal circunferência de 7,5 bilhões de quilômetros. Para colocar isso em perspectiva, você levaria 950 anos para voar em torno dela em um avião comercial – até mesmo a luz levaria 6 horas e 55 minutos para circunavegá-la. Se substituíssemos o Sol no centro do Sistema Solar por UY Scuti, sua superfície chegaria até a órbita de Saturno, localizada entre o planeta dos anéis e Júpiter – não é preciso dizer que a Terra seria tragada.

UY Scuti, Observatório Rutherford. Haktarfone [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC BY-SA

Dada a sua enorme dimensão e uma possível massa de 20 a 40 vezes maior do que o Sol (ou 2-8×10³¹kg), UY Scuti têm uma densidade provável de 7×10⁻⁶ kg/m³. Em outras palavras, ela é mais de um bilhão de vezes menos densa do que a água.

Na verdade, se colocássemos esta estrela na maior piscina de água do Universo, ela teoricamente flutuaria. Sendo mais de um milhão de vezes menos densa que a atmosfera da Terra à temperatura ambiente, ela voaria livremente sobre a atmosfera terrestre – isso se encontrássemos um parque grande o bastante.



Mas se esses fatos insanos explodiram sua mente, temos que dizer, nem sequer começamos. UY Scuti pode ser grande, mas não é um peso pesado (literalmente). A estrela mais massiva do Universo (até o momento encontrada) é R136a1, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 165.000 anos-luz de distância.

Estrela R136a1 (extrema direita) está em um denso aglomerado de estrelas distante 165.000 anos-luz da Terra

Ataque Massivo

Essa estrela, uma esfera de hidrogênio, hélio e outros elementos mais pesados (bem como o Sol e UY Scuti) é apenas 35 vezes maior que o Sol, mas assombrosos 265 vezes mais massiva – impressionante, especialmente tendo em conta que ela já perdeu 55 massas solares durante seu ciclo de vida, iniciado há 1,5 bilhão de anos.

Essa estrela tipo Wolf-Rayet (estrelas evoluídas, muito massivas - mais de 20 massas solares, - e que perdem suas massas rapidamente por meio de ventos estelares muito fortes) está longe de ser estável. Ela se parece com uma esfera azul distorcida com uma superfície um tanto indistinguível, graças aos poderosos ventos estelares ejetados constantemente. Estes ventos viajam à alucinantes 2.600km/s – ou 65 vezes mais rápido do que a sonda Juno (que deve chegar à Júpiter em julho desse ano), o objeto mais veloz já construído pelo homem.

Como resultado, R136a1 perde 3.21×10¹⁸kg/s de massa, o equivalente a uma Terra a cada 22 dias.

Tal como uma estrela do rock, ela brilha muito e morre rapidamente. R136a1 irradia nove milhões de vezes mais energia do que o nosso Sol e pareceria 94.000 vezes mais brilhante no céu terrestre se substituíssemos nossa estrela por ela. Na verdade, ela é a estrela mais luminosa já descoberta.

A Grande Nuvem de Magalhães: cheia de estrelas.

Com uma temperatura de superfície de 53.000°C, R136a1 deve viver por ‘apenas’ mais dois milhões de anos. Sua morte será espetacular, uma espécie de mega-supernova, destruindo tudo no caminho.

Claro, contra esses gigantes nosso Sol é insignificante, mas, também, irá crescer bastante no futuro, à medida que envelhece. Daqui 7,5 bilhões de anos, ele atingirá seu tamanho máximo como uma gigante vermelha, estendendo-se até a presente órbita da Terra, que será engolida no processo.

Até mesmo a maior das estrelas não se compara à menor das galáxias, que não se comparam aos aglomerados, aos superaglomerados ou ao Cosmos em si. E o que dizer da Terra ao lado desses monstros cósmicos? Melhor pararmos por aqui.

[The Conservation]

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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