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Se você pudesse viajar de planeta à planeta, de estrela em estrela, para além dos golfos de espaço intergaláctico, iria afastar-se do calor das estrelas em direção às vastas profundezas frias do vazio.


Quão frio isso seria? Quão frio é o espaço?

Ao contrário da sua casa, carro, piscina, o vácuo do espaço não possui qualquer temperatura. Trata-se de uma pergunta ‘nonsense’. Somente quando colocamos algo no espaço, como uma rocha ou um ser humano, que conseguimos medir, quantificar uma temperatura.

Lembra-se? Existem três maneiras de transferir calor: condução, convecção e radiação.

Aqueça um lado de uma barra de metal e o outro lado vai ficar quente também; isso é condução. Circulando o ar pode transferir calor a partir de uma sala para outra; trata-se da convecção.

Mas, no vácuo do espaço, a única de forma de transferir calor é a radiação.

Fótons de energia são absorvidos por um objeto, aquecendo-se. Aos mesmo tempo, os fótons estão irradiando à distância.

Se o objeto em questão está absorvendo mais fótons do que emitindo, ele se aquece. E se emite mais fótons do que absorve, ele esfria.

Existe um ponto teórico no qual você não consegue extrair mais energia quando um objeto atinge uma temperatura mínima, que é o zero absoluto (-273ºC ou 0K). Como veremos abaixo, é impossível chegar a tal ponto.
Vamos voltar à Terra, em órbita ao redor do planeta, na Estação Espacial Internacional.

Um pedaço de metal nu no espaço, sob a luz solar constante pode ficar tão quente quanto 260°C. Isso é muito perigoso para os astronautas que têm que trabalhar fora da estação.

Se eles precisarem lidar com esse metal, eles precisam se envolver (ou envolve-lo) em revestimentos especiais ou cobertores para se proteger. Caso seu traje danifique-se, o oxigênio armazenado na roupa pode vazar espaço afora, asfixiando o astronauta.

À sombra, um objeto pode esfriar abaixo dos -100°C.

Os astronautas podem experimentar grandes diferenças de temperatura entre o lado voltado para o Sol, e o lado na sombra. Seus trajes espaciais compensam este fato utilizando aquecedores ou sistemas de refrigeração internos.

Vamos falar sobre astros distantes no Sistema Solar. À medida que viajamos para longe do Sol, a temperatura de um objeto no espaço despenca. A temperatura da superfície de Plutão, por exemplo, pode ficar tão baixa quanto -240°C, apenas 33 graus acima do zero absoluto.

Nuvens de gás e poeira entre as estrelas dentro de nossa galáxia são apenas 10 a 20 graus mais quentes que o zero absoluto. 

E se você inventar de viajar para longe de tudo no Universo, tal como uma zona ausente de galáxias e aglomerados, presenciará uma temperatura recorde de 2,7 Kelvin, ou -270,45°C, a temperatura mínima registrada no vácuo do espaço. 

Trata-se da temperatura da radiação cósmica de fundo, que permeia todo o Universo.

Essa seria uma espécie de ‘temperatura-padrão’ do Cosmos.

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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