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Astrônomos usam uma técnica chamada paralaxe para medir com precisão a distância das estrelas no céu. Usando a técnica, que requer a observação de alvos de lados opostos da órbita da Terra em torno do Sol, os astrônomos calcularam a distância para o famoso aglomerado das "sete irmãs" ou "Sete estrelas", as Plêiades. O Parsec é uma medida de distância que usa esse esquema de triangulação astronômica. Créditos: Mensageiro Sideral/Folha.

Os astrônomos geralmente falam das distância no universo em parsecs, e não em anos-luz. Um parsec tem de 30 trilhões de quilômetros, ou pouco mais de três anos-luz.


Se você já ouviu astrônomos conversarem entre si, você provavelmente não vai se lembrar de ter ouvido eles falarem muito de anos-luz. O conceito de ano-luz é uma ótima maneira de pensar sobre escalas de distância do universo. Mas o ano-luz não é muito útil quando se trata de realmente medir essas distâncias. Parsecs - a unidade de distância igual a cerca de 30 trilhões de km - são muito mais intimamente relacionados com a maneira de como descobrir o tamanho do Universo.


Para encontrar a distância de uma estrela, os astrônomos usam um método chamado de triangulação. Você pode tentar isso agora. Mantenha o dedo na frente de seu rosto, se concentre em algo na sua frente, e feche um olho. Agora abra o olho que estava fechado e feche o outro. Se você alternar os olhos, você vai notar que o dedo parece dançar de um lado para o outro na frente de seu rosto. O movimento é, naturalmente, uma ilusão. Seu dedo não está se movendo. Cada olho vê o dedo de um ângulo diferente, de modo a localização do dedo, em relação ao material no fundo, parece diferente.

Esta mudança aparente é chamada de paralaxe, do grego parallaxis ou "alteração".

Parsecs são baseados no movimento da Terra em órbita em torno do Sol. Como a Terra se move de um lado da sua órbita para o outro, uma estrela próxima parece mudar de posição em relação às estrelas mais distantes. A quantidade de deslocamento depende de quão longe a estrela está. Imagem via Wikipedia utilizador Rasbak.

Se você medir o ângulo sobre o qual o dedo parece mover-se, você pode descobrir o quão longe o seu dedo está do seu rosto. Da mesma forma, os astrônomos medem ângulos para encontrar as distâncias para estrelas. Em vez de piscar os olhos, no entanto, os astrônomos movem a Terra. Ou melhor, nós usamos o fato de que a Terra se move ao redor do Sol.






Esquemático de um parsec

Um parsec é a distância de uma estrela que se desloca por um segundo de arco de um lado da órbita da Terra para o outro. Um parsec igual a 30 trilhões de quilômetros ou pouco mais de três anos-luz. Imagem via Wikipedia utilizador Srain.



Por exemplo, se observarmos uma estrela em janeiro, e depois analisarmos novamente em julho, a Terra terá percorrido meio caminho ao redor de sua órbita. Nós estamos olhando para a estrela de dois locais aproximadamente a 300 milhões de quilômetros de distância. Se a estrela estiver razoavelmente próxima, ela parecerá mover-se ligeiramente. O ângulo de paralaxe, combinado com a distância média Terra-Sol (ou uma unidade astronômica), permite que os astrônomos calculem a distância até a estrela.


Estes ângulos são minúsculo. Eles são muito pequenos para serem uma unidade prática de medição. Ângulos de paralaxe são tipicamente medidos em segundos de arco. Há 3.600 segundos de arco em um grau. Para fornecer alguma perspectiva: um segundo de arco é equivalente à largura de um cabelo humano médio visto a partir de 20 metros de distância.

E aqui está como chegamos ao parsec como uma unidade de distância: um parsec é a distância a um objeto cujo ângulo de paralaxe é um segundo de arco (abreviação de paralaxe de um arcosegundo ou arcosecond, do inglês).

Após sua primeira aparição em um artigo de 1913 do astrônomo Inglês Frank Dyson, o termo pegou. Se você vê uma estrela com meio segundo de arco de paralaxe, ela está a dois parsecs de distância. Em 1/3 arcosegundos, a três parsecs. E assim por diante.

Basicamente, os astrônomos gostaram, porque ele tornou a matemática mais fácil!

Um parsec tem aproximadamente 30 trilhões de quilômetros ou 19 trilhões de milhas. Isso é um pouco mais de três anos-luz (3,26 anos-luz, pra ser mais exato). A sonda Voyager 1, lançada em 1977, é o objeto feito pelo homem mais distante da Terra. Ela está a apenas seis décimos de milésimos de parsec de distância. A estrela mais próxima ao Sol, uma pequena anã vermelha chamada Proxima Centauri, está a pouco mais de um parsec de nós. Isso é realmente bastante típico no nosso pescoço da galáxia - que possuiu uma estrela para cada parsec cúbico - mas não é típico em todos os lugares. Nos núcleos de aglomerados globulares, a densidade pode chegar a bem mais de uma centena de estrelas por parsec cúbico!

O círculo mostra a localização dos Proxima Centauri. Em pouco mais de um parsec de distância, é a estrela mais próxima do nosso Sol. Localizada na constelação Centaurus, o Centauro, ela provavelmente está ligada gravitacionalmente à estrela brilhante à direita: Alpha Centauri. A outra estrela muito brilhante é Beta Centauri, dista a cerca de 100 parsecs (cerca de 300 anos-luz) da Terra. Crédito: Wikipedia utilizador Skatebiker.

O centro da galáxia encontra-se a pouco mais de 8.000 parsecs de nós na direção da constelação de Sagitário. A galáxia de Andrômeda, a galáxia espiral mais próxima à nossa, está quase 800 kiloparsecs de distância, ou mil parsecs.

Em escalas maiores, os astrônomos começam a falar de megaparsecs e até mesmo gigaparsecs. Isso é um milhão e um bilhão de parsecs, respectivamente. Os cosmólogos geralmente usam medidas de distâncias em megaparsescs. O nosso universo, por exemplo, começa a ser homogêneo e isotrópico a partir de distâncias maiores que 100 megaparsecs e a velocidade de expansão do Universo ou a Constante de Hubble é dada em km/s/mpc  (quilômetros por segundo por megaparsec, ou seja, em um megaparsec, o Universo se expandiu a uma taxa determinados quilômetros por segundo).

Por exemplo, se
H0 = = 71 km/s/Mpcsignifica que a velocidade de recessão das galáxias aumenta 71 km/s a cada megaparsec de distância, ou seja:
galáxias a 1 Mpc têm velocidade de recessão de 71 km/s
galáxias a 10 Mpc têm velocidade de recessão de 710 km/s
galáxias a 11 Mpc têm velocidade de recessão de 780 km/s
galáxias a 100 Mpc têm velocidade de recessão de 7100 km/s
etc.

O Aglomerado de Virgem, um conglomerado de milhares de galáxias, está a 16 megaparsecs de casa. Levaria 54 milhões de anos para alcançá-lo viajando à velocidade da luz.

O Aglomerado de Virgem, que contém mais de 1.000 galáxias, está a 17 megaparsecs distância. Isso é cerca de 54 milhões de anos-luz ou mais de 500 trilhões de quilômetros. Os "buracos negros" nesta imagem são realmente estrelas próximas que foram removidas da imagem. Via Chris Mihos (Case Western Reserve University) / ESO.

A borda do visível universo - o horizonte - é o limite cósmico da nossa visão. E está a 14 gigaparsecs de distância. Isso equivale a 46 bilhões de anos-luz. O universo não tem idade suficiente para que a luz além desta região chegue até nós. Não sabemos o que está além dela. Seria nossa bolha de existência diferente do que há além dele? Ou é igual a todo o resto? Nós provavelmente não saberemos até chegarmos lá.

E com Voyager 1, estamos a 40 quadrilionésimos do caminho até lá!

Resumindo: Um parsec é definido como a distância de uma estrela que se desloca por um segundo de arco de um lado da órbita da Terra para o outro. Um parsec tem de 30 trilhões quilômetros, ou 3,26 anos -luz.

Traduzido e adaptado de Earth Sky

Acompanhe também o vídeo "Parsec - Distâncias Astronômicas" do nosso parceiro, o canal Café e Ciência, para reforçar seu conhecimento, Aproveite e se inscreva no Canal!



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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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