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» » » » » » » Sonda Cassini da NASA gravou os primeiros sons do vazio misterioso dentro anéis de Saturno
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Imagine que você possui um medo irracional de um dia ser sugado para o espaço e morrer uma morte solitária, silenciosa no vazio triste e escuro do Universo...Então aperte os cintos, porque é hora de experimentar seus pesadelos em forma de áudio.

A sonda Cassini da NASA acabou de enviar de volta à Terra, pela primeira vez, sons do espaço dentro dos anéis de Saturno, e mesmo que eles não sejam tão assustadores quantos os sons bizarros que flutuam em torno de Júpiter, basta lembrar - isso é quase totalmente como o som do vazio do espaço sendo registrado.

Os arquivos de som foram entregues hoje no 'Grand Finale' da Cassini, que saltou para o fosso entre Saturno e seus anéis pela segunda vez, em uma série de mergulhos que ela fará até Setembro.

O mergulho inicia da Cassini no vazio que liga o anel de Saturno foi em 26 de abril, quando o primeiro som foi gravado.

Esta não é a primeira vez que conseguimos 'ouvir' desta parte do espaço, mas é a primeira vez que uma nave espacial se aventurou no espaço entre Saturno e seus anéis.

Os cientistas ficaram surpresos ao ver o quão vazia era.

"A região entre os anéis e Saturno é o 'grande vazio'", diz o gerente do projeto Cassini Earl Maize do Jet Propulsion Laboratory da NASA em Pasadena, Califórnia. 

"Cassini vai manter o curso, enquanto os cientistas trabalham no mistério de por que o nível de poeira é muito menor do que o esperado."

Aqui estão as duas gravações, que, além da constante estática, dão a você uma ideia da pouca informação do que está contornando o segundo planeta gasoso mais próximo da Terra:






Como a NASA explica em um comunicado, quando a Cassini estava passando por anéis de Saturno, seu instrumento de Radio and Plasma Wave Science (RPWS) e detectou centenas de 'partículas do anel' como esperado, mas uma vez que atingiu a lacuna, as coisas ficaram estranhamente quietas.

"O RPWS detectou os ataques de centenas de partículas do anel por segundo quando ele cruzou o plano dos principais anéis de Saturno, mas apenas detectou alguns sinais em 26 de abril", diz NASA.

Para ser claro, o RPWS não gravou diretamente ondas sonoras como um gravador - isto não é o que se ouve com os nossos próprios ouvidos (se é que alguma vez fomos a esta parte do Sistema Solar!). Em vez disso, ele detecta ondas de rádio e plasma, que são convertidas em som.

O resultado é que podemos 'ouvir' as partículas de poeira que batem nas antenas do instrumento, que contrastam com os assobios habituais gerados pelo ambiente de partículas carregadas do espaço.

"A equipe RPWS esperava ouvir uma série de estalos na travessia do plano do anel dentro da lacuna, mas em vez disso, os assobios e 'gritos' apareceram surpreendentemente claros em 26 de abril", diz NASA.

Em vez de ouvir grandes partículas de poeira, os cientistas dizem que só foram capazes de detectar poucas partículas - e aquelas que encontraram não eram maiores do que as partículas de fumaça.

"Foi um pouco desorientador - não estávamos ouvindo o que esperáramos ouvir", acrescenta William Kurth, líder da equipe RPWS na Universidade de Iowa.

Esta não é a primeira vez que ganhamos um cartão de visitas em forma de áudio delével da periferia de um planeta vizinho.

Em 2016, a sonda Juno da NASA registrou este assombroso som perto de Júpiter quando se aproximava do gigante gasoso:


A boa notícia é que, apesar de 'grande vazio' ter intrigado os cientistas, nós temos bastante ainda de Saturno para explorar, com mais 20 mergulhos programados para as próximas semanas.

Em setembro, em seu último mergulho, a Cassini vai cair em Saturno para ser queimada na atmosfera do planeta.

Podem apostar que vamos ver um monte mais coisas legais antes disso.

Traduzido e adaptado de Science Alert

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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