O último livro de Stephen Hawking diz que "não há possibilidade" de Deus existir em nosso universo - Mistérios do Universo

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21 de outubro de 2018

O último livro de Stephen Hawking diz que "não há possibilidade" de Deus existir em nosso universo

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De sua mesa na Universidade de Cambridge e além, Stephen Hawking enviou sua mente em espiral para os lugares mais profundos dos buracos negros, irradiando através do cosmos sem fim e remexendo bilhões de anos para testemunhar a primeira respiração do tempo. Ele via a criação como cientista, e quando foi chamado para discutir os maiores enigmas da criação - De onde viemos? Qual é o nosso propósito? Estamos sozinhos? - ele respondeu como cientista, muitas vezes para o desgosto dos críticos religiosos.

No último livro de Stephen Hawking, "Brief Answers to Big Questions" (Breves Respostas para Grandes Questões), publicado na ultima terça-feira (16) pela Bantam Books, o professor inicia uma série de 10 ensaios intergaláticos, abordando a mais antiga e mais religiosa questão da vida: Deus existe?

A resposta de Hawking - compilada de décadas de entrevistas anteriores, ensaios e discursos com a ajuda de sua família, colegas e do Steven Hawking Estate - não deveria ser uma surpresa para os leitores que seguiram seu trabalho, religiosamente.
"Eu acho que o Universo foi criado espontaneamente a partir do nada, de acordo com as leis da ciência", escreveu Hawking, que morreu em março. "Se você aceita, como eu, que as leis da natureza são fixas, então não demorará muito para perguntar: que papel existe para Deus?"

Na vida, Hawking foi um defensor da teoria do Big Bang - a ideia de que o universo começou explodindo subitamente de uma singularidade ultradensa menor que um átomo. Dessa partícula emergiu toda a matéria, energia e espaço vazio que o universo jamais conteria, e toda essa matéria-prima evoluiu para o cosmos que percebemos hoje seguindo um conjunto estrito de leis científicas. Para Hawking e muitos cientistas que pensam da mesma forma, as leis combinadas de gravidade, relatividade, física quântica e algumas outras regras poderiam explicar tudo o que já aconteceu ou vai acontecer em nosso universo conhecido.

"Se você gosta, pode dizer que as leis são a obra de Deus, mas isso é mais uma definição de Deus do que uma prova de sua existência", escreveu Hawking.

Com o Universo rodando em um piloto automático cientificamente guiado, o único papel de um ser todo-poderoso poderia ser de estabelecer as condições iniciais do Universo para que essas leis pudessem tomar forma - um criador divino que causou o Big Bang, então recuou, para contemplar sua obra.

"Deus criou as leis quânticas que permitiram que o Big Bang ocorresse?" Hawking escreveu… "Não tenho vontade de ofender alguém com fé, mas acho que a ciência tem uma explicação mais convincente do que um criador divino."

A explicação de Hawking começa com a mecânica quântica, que explica como as partículas subatômicas se comportam. Nos estudos quânticos, é comum ver partículas subatômicas como prótons e elétrons aparentemente surgirem do nada, ficar por um tempo e depois desaparecer novamente para um local completamente diferente. Como o Universo já foi do tamanho de uma partícula subatômica, é plausível que tenha se comportado de maneira semelhante durante o Big Bang, escreveu Hawking.

"O próprio Universo, em toda a sua vastidão e complexidade incompreensível, poderia simplesmente ter surgido sem violar as leis conhecidas da natureza", escreveu ele.

Isso ainda não explica a possibilidade de que Deus tenha criado essa singularidade do tamanho do próton e, em seguida, acionou o interruptor da mecânica quântica que permitia que ele surgisse. Mas Hawking diz que a ciência também tem uma explicação. Para ilustrar, ele aponta para a física dos buracos negros - estrelas colapsadas que são tão densas que nada, incluindo a luz, pode escapar de sua força.

Buracos negros, assim como o Universo antes do Big Bang, se condensam em uma singularidade. Neste ponto de massa ultra-empacotada, a gravidade é tão forte que distorce tanto o tempo quanto a luz e o espaço. Simplificando, nas profundezas de um buraco negro, o tempo não existe.

Uma vez que o Universo também começou como uma singularidade, o tempo em si não poderia ter existido antes do Big Bang. A resposta de Hawking, então, ao que aconteceu antes do Big Bang, "não houve tempo antes do Big Bang".

"Finalmente encontramos algo que não tem uma causa, porque não havia tempo para uma causa existir", escreveu Hawking. "Para mim, isso significa que não há possibilidade de um criador, porque não há tempo para um criador existir."

Este argumento fará pouco para persuadir os crentes teístas, mas essa nunca foi a intenção de Hawking. Como cientista com uma devoção quase religiosa à compreensão do cosmos, Hawking procurou "conhecer a mente de Deus" aprendendo tudo o que podia sobre o universo auto-suficiente que nos rodeia. Embora sua visão do Universo possa tornar um criador divino e as leis da natureza incompatíveis, ainda deixa amplo espaço para fé, esperança, admiração e, especialmente, gratidão.

"Temos essa vida única para apreciar o grande projeto do universo", conclui Hawking no primeiro capítulo de seu livro final, "e por isso estou extremamente grato".

Originalmente publicado na Live Science.
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