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Buraco negro antes da reformulação, no filme.

Até mesmo os buracos negros usam maquiagem em Hollywood. O Filme de sucesso do ano passado Interstellar, usou equações científicas reais para descrever o que acontece quando uma equipe de aventureiros do espaço fica perto de um buraco negro supermassivoAgora, um artigo publicado pela revista Classical and Quantum Gravity em conjunto com a equipe de efeitos visuais do filme e o consultor científico revelou que o verdadeiro buraco negro foi na verdade  muito confuso para o público, e alguns dados científicos tiveram que ser reduzidos.
A premissa de Interestellar foi concebida pelo físico Kip Thorne, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que queria fazer um filme realista sobre buracos negros. Ele se reuniu com o diretor e co-roteirista Christopher Nolan, e também com o estúdio de efeitos visuais Double Negative em Londes, para criar buraco negro do filme: Gargantua.
"A princípio, eu gostaria apenas de fazer-lhes uma simples pergunta e, depois, uma semana mais tarde ou talvez um mês, eu  já estava pegando um papel muito bem apresentado que ele tinha colocado com referências indo para a história dos problemas que eu estava se perguntando", diz Oliver James, cientista-chefe da Double Negative.
Não é a primeira vez que os físicos usaram equações da relatividade geral de Albert Einstein para produzir imagens e propriedades de filmes para distorcer o espaço de um buraco negro. Mas estes tinham menor resolução e menos detalhes do que uma produção de Hollywood, por isso a equipe teve que fazer algumas adaptações. Para evitar cintilação de descontinuidades, ao invés de traçar os caminhos dos raios de luz individuais que geram uma imagem, eles usaram feixes de raios, que serviram para suavizar o filme resultante. "Isto envolveu bastante pesquisa para calcular o que iria acontecer", diz James.

Preto e azul

O elemento mais marcante do Gargantua em Interstellar é o seu disco de acreção: o anel brilhante de matéria que circunda. A equipe começou a utilizar um disco simples para descobrir como ele ficaria distorcido pelo buraco negro e, em seguida, o trocaram por um disco mais fino com cores realistas.
O resultado parecia bom, mas o buraco negro central parecia estar sendo esmagado contra um lado. Isso acontece porque os efeitos de dilatação do tempo no filme fez com que o  buraco negro girasse muito rápido, fazendo com que ele arrastasse a luz para um lado. Nolan não gostou dessa assimetria e achou que os cinéfilos não entenderiam o porquê, dessa forma, a equipe reduziu a sua velocidade, diz James.
Imagem: Classical e Quantum Gravity, 2015. Reproduzido com permissão de IOP Publishing)

O Disco de Gargantua no filme também é mais vermelho e mais brilhante do que seria na vida real (veja acima). A medida que a equipe trabalhava no filme, eles adicionaram níveis de detalhe científico. Eles descobriram que a rotação do buraco negro tornaria-o vermelho brilhante com um azul claro, graças ao efeito Doppler encurtando o comprimento de onda da luz que ele exalava. Ele também fez um dos lados do disco muito mais escuros, a ponto de ser quase invisível. Mais uma vez, Nolan vetou esses detalhes.
"Nos baseamos na ciência em filmes, mas sempre damos a liberdade para que os artistas possam mudá-lo", diz James. "As primeiras imagens que lhe demos não tiveram o efeito Doppler, e eu acho que eles se apaixonaram por isso."

Longe de realismo

"Quando eu vi o filme, eu imediatamente percebi que o buraco negro não aparentava ser como deveria ser um buraco negro real", disse Andrew Hamilton , da Universidade do Colorado em Boulder. Agora que ele leu o artigo, ele está contente de ver que reduziu a sua velocidade por uma razão. "Eu não tinha percebido o quão cuidadosa a equipe do filme tinha sido com suas representações. "
Alain Riazuelo do Instituto de Astrofísica de Paris diz que aprecia os esforços da equipe, mas um projeto de ciência pura teria feito essas coisas de forma diferente, uma vez que astrônomos querem criar modelos do que seus telescópios podem ver de longe. "De uma perspectiva de astrofísica, é como se você quisesse simular diferentes configurações da matéria ao redor do buraco negro e, em seguida, tentasse prever o que suas observações lhe daria", disse ele - a equipe escolheu um disco que achavam que iria parecer agradável ao público.
Riazuelo reuniu com Thorne há alguns anos atrás e deu-lhe algumas dicas de visualizações, por isso ficou um pouco decepcionado quando viu o filme. "Eu entendi, depois de alguns minutos, porque eles tinham feito isso, mas eu teria preferido ficar um pouco mais perto do realismo", disse ele, o que poderia ter sido muito pior. "Você deve ter em mente que não havia nada que obrigasse Christopher Nolan tentar furar o realismo científico.
As técnicas desenvolvidas para Interstellar poderiam ter benefícios inesperados além de buracos negros. James diz que ele foi enviado em um  projeto de planejamento e pesquisa na NASA para estudar estrelas de nêutrons e certas equações que poderia  ajudar a equipe na interpretação de dados astronômicos reais. "Inicialmente, quando o filme saiu, todo mundo estava realmente animado para ver a verdadeira ciência ser usada para fazer filmes", diz James. "Como cineastas, agora estamos realmente animados que projetos científicos da NASA ajudem-nós a aprimorar nossa ciência para fazer coisas que nunca tinha sido pensadas."
Jornal de referência: Classical and Quantum Gravity

Fonte: New Scientist

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Autor Felipe Sérvulo

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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