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» » » Como as utopias de ratos da década de 1960 levaram a previsões sinistras sobre a humanidade.
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O que a utopia significa para camundongos?


De acordo com um pesquisador, que fez a maior parte do trabalho dele nas décadas de 50 até 70, isso incluiu comida ilimitada e vários andares de condomínios de roedores. Isso foi tudo parte dos experimentos de John Calhoun para estudar os efeitos da densidade populacional sobre o comportamento.  Mas o que parecia uma utopia e um paraíso de ratos de início, rapidamente se tornou em uma superlotação sem controle e eventual um colapso da população e padrões de comportamento aparentemente sinistros.

Os camundongos não foram legais.

Esther Inglis-Arkell escreveu sobre o 25º habitat e o experimento:

          “No pico da população, a maioria dos camundongos gastaram todo segundo de vida na companhia de centenas de outros camundongos. Eles se reuniam na ‘praça central', esperando para serem alimentados e ocasionalmente atacaram uns aos outros. Poucas fêmeas carregaram a gravidez até o fim, e as que tiveram filhos pareciam simplesmente esquecer sobre eles. Elas carregavam metade de seus filhos para longe do perigo e esqueciam o resto. Às vezes elas derrubavam e abandonavam um filhote enquanto o carregava.
Os poucos espaços isolados abrigavam uma população chamada: os 'mais bonitos’. Geralmente guardada por um macho, as fêmeas – e alguns machos - dentro desse espaço não procriavam e nem brigavam, somente comiam, dormiam e cuidavam deles. Quando a população começou a diminuir, os 'mais bonitos’ foram poupados da violência e morte, mas perderam todo o contato com comportamentos sociais, incluindo sexo e cuidar de seus filhos.

         Os experimentos de Calhoun, que começaram com ratos ao ar livre e  depois foi para o National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental – em tradução direta) fazendo experimentos com camundongos durante o início dos anos 60, foram interpretados no momento como uma evidência do que poderia acontecer com um mundo superpovoado. Os comportamentos incomuns que ele observou foram apelidados de “fossas comportamentais”.

          Após Calhoun escrever sobre suas descobertas em um artigo para a revista Scientific American, esse termo pegou na cultura popular, segundo um artigo publicado no Journal of Social History, o trabalho ajudou a criar um pavor, que lotou as áreas urbanas da época, que existia um risco de decadência moral –e os eventos como o assassinato de Kitty Genovese (apesar de ter sido mal interpretado) somente aumentou severamente a preocupação. Uma série de obras de ficção – livros como Soylent Green (que virou filme, e é chamado no Brasil de: “O mundo em 2020”) e histórias em quadrinhos como 2000AD – apareceram nas ideias de Calhonun e alguns de seus contemporâneos. O trabalho também inspirou em 1971 um livro infantil Mrs. Frisby and the Rats of NIMH, em que NIMH significa National Institute of Mental Health, do qual também foi feito em um filme em 1982: The Secret of NIMH.

       Agora, as interpretações do trabalho de Calhoun mudaram. Inglis-Arkell explicou que os habitats que ele criou não foram realmente superlotados, mas aquele isolamento fez com que os ratos agressivos demarcassem território e isolassem “os mais bonitos”. Ela escreveu: “Em vez do problema da população, pode-se afirmar que o Universo 25 teve um problema de distribuição”.

         Mas pode-se ressaltar que humanos não são ratos. O NIH Record falou ao historiador médico Edmund Ramsden sobre o trabalho de Calhoun:

            “Ultimamente, ‘ratos podem sofrer por aglomeração; os humanos podem lidar com isso’ disse Ramsden. ‘A pesquisa de Calhoun não foi vista apenas como questionável, mas também perigosa.’ Outro pesquisador, Jonathan Freedman, voltou-se para o estudo das pessoas reais – eles foram somente estudantes do colegial e de universidades, mas definitivamente humanos. O trabalho dele sugeriu uma interpretação diferente. A decadência moral pode surgir ‘não da densidade, mas das interações sociais excessivas’. Ramsden disse ‘Nem todos os ratos de Calhoun tinham enlouquecido. Aqueles que controlavam o espaço levaram uma vida relativamente normal.’

            O trabalho de Calhoun não nos deu respostas, mas é raro um estudo ou uma série deles nos dar conclusões concretas. Em vez disso nós temos ideias e um estranho vídeo sobre antigos experimentos sobre utopias de camundongos (em inglês):





Fonte: Smithsonian

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Autor Guilherme Barcelos

Graduado em Física pela UEPB. Mestrando em Cosmologia, gravitação e física das partículas pela UFCG. Possui experiência na área de divulgação científica com ênfase em astronomia, astrofísica, astrobiologia, cosmologia, biologia evolutiva e história da ciência. Possui experiência na área de docência informática, física, química e matemática, com ênfase em desenvolvimento de websites e design gráfico e experiência na área de artes, com ênfase em pinturas e desenhos realistas. Fundador do Projeto Mistérios do Universo, colaborador, editor, tradutor e colaborador da Sociedade Científica e do Universo Racionalista. Membro da Associação Paraibana de Astronomia. Pai, nerd, geek, colecionador, aficionado pela arte, pela astronomia e pelo Universo. Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/8938378819014229
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